Uma agradável surpresa ♡

segunda-feira, novembro 02, 2015


Começo este post por dizer que não sou grande fã de cozinha tradicional portuguesa (exceto os assados no forno a lenha da minha avó), gosto de sushi, de gastronomia moderna, de comida italiana. Não aprecio carnes vermelhas, não como bacalhau. Estão a ver aquelas mesas fartas transmontanas regadas a vinho (que não bebo - não consumo bebidas alcoólicas)? Não são a minha cara, de todo.

Posto isto, quis surpreender a minha mãe e levá-la a almoçar a um dos restaurantes contemplados pelo Porto Restaurant Week. Escolhi o éLeBê na baixa do Porto, associado a cozinha tradicional portuguesa de excelência. E como devem imaginar pela introdução deste post, não tinha expectativas muito elevadas, mas tinha a certeza que a minha mãe ia adorar. 

Infelizmente, no dia da reserva a minha mãe não conseguiu ir e então o meu caríssimo namorado assumiu (e muito bem) o seu lugar. Confesso que fui um pouco desmotivada, mas fui.

Mas sabem, o amor acontece. E no éLeBê aconteceu.


Ao chegar deparamo-nos com um espaço moderno onde os tons a preto e branco se conjugam com o cobre, num ambiente bonito e calmo. Desde o momento em que entramos que nos sentimos em casa tal é a simpatia e cuidado dos colaboradores deste espaço. Atrás da nossa mesa, na parede, uma frase de Fernando Pessoa: "Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito."



Couvert:
  • Pão
  • Azeitonas em tempera de azeite, alho e oregãos
  • Manteiga do chef


Entrada:
  •  Fondue de 3 queijos
Emmental, mozzarela e queijo de cabra, gratinados no interior de um pão de sementes com a base caramelizada acompanhado de tostas de pão branco. O simples tornado sublime. Esta mistura de queijos, com alguns outros ingredientes secretos, apresentava uma cremosidade excepcional e sabor bastante harmonioso.



Prato principal:
  •  Montada minhota
Tornedós de alcatra minhota corados com broa e enriquecidos por vinho verde, acompanhados de batata a murro e legumes salteados. 
Qualquer pessoa que conheça os meus hábitos culinários julgaria impossível apaixonar-me por um prato tão tradicional. Mas a verdade é que quando a confeção é exímia não há como não gostar. A carne tenra e delicadamente repousada, as batatas crocantes por fora e suaves por dentro, a broa com a acidez do vinho verde e os legumes salteados com alho e azeite... Fez-me lembrar a cozinha da minha avó, os ingredientes simples confecionados na perfeição, no forno a lenha.



E para sobremesa, a pièce de la résistance, mousse de chocolate em copo de bolacha. A doçura da mousse de chocolate harmonizava na perfeição com o toque ligeiramente salgado da bolacha. De comer e chorar por mais.

Eu sei que não é propriamente erudito ou original parafrasear o filme Ratatouille, mas aqui vai: "Boa culinária não é para os fracos de coração. É para as mentes criativas! Corações fortes! As coisas podem até correr mal, mas não devemos deixar ninguém definir os seus limites a partir de sua origem. O único limite é sua alma.". A comida tradicional portuguesa está morta, pensava eu, não tem margem para evoluir saíndo do seu pequeno espaço, para se modernizar sem colher críticas. Mas estava enganada, o éLeBê provou-me que posso gostar da nossa gastronomia regional, que esta não tem limites e que preserva a sua origem, sofrendo metamorfoses. 

Obrigada  a este restaurante que me trouxe recordações de infância e que me recebeu com um coração enorme. Obrigada Ricardo Silva pelo seu atendimento e pela forma generosa e simpática como nos recebeu.

Se não conhecem este espaço visitem-no, sem preconceitos. Vai surpreender-vos! ;)



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14 great lady(ies) said:

  1. Já lá estive e suponho que tenha sido atendida pela mesma pessoa. É a lama daquela casa, comi o menu executivo, super bem servido e delicioso.

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  2. Mas que relato encantador. Fiquei com vontade de conhecer o espaço :)

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  3. Estive no élebê em Setembro com duas amigas e adorei o atendimento. A comida é mesmo muito boa mas o que nos faz voltar é o Ricardo :)

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  4. Tal como tu, não sou fã deste tipo de culinária. mas é sempre maravilhoso conseguirmos livrar-nos das amarras gastronómicas e provarmos aquilo que Portugal tem de melhor. Tenho de visitar o élebê.

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  5. Como transmontana posso assegurar-te que não encontrarás uma mesa farta regada com vinho nem verde nem branco pois na região mais de 90% da produção é de vinho tinto. Adoro gastronomia portuguesa posso já fazer com algumas alterações ou com menos regularidade mas a nossa gastronomia, a nossa língua e as paisagensas são as nossas maiores riquezas. Fico com pena de ver tanta gente a pensar como tu....mas respeito claro!quando puder dou uma passada a experimentar a tua sugestão

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    1. Querida Andreia peço desculpa por ter convergido dois universos diferentes, asseguro-te que o fiz pelas semelhanças da sua essência como tipicamente portuguesas. Tenho muito orgulho no meu pais, rejubilo com as suas paisagens, cresci no Douro. Mas de facto e sem hipocrisias a gastronomia regional não é o meu forte. Experimenta, vais gostar :)

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  6. Eu não aprecio este tipo de comida, tal como tu, mas valorizo as nossas raízes. Acho que uma coisa não compete com a outra.

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    1. Não compete de todo. Mas se tivemos a ousadia para experimentar pratos de outras culturas que à partida ao gostaríamos, devemos também fazê-lo com os nossos :)

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  7. Não conhecia o restaurante mas tem tudo tão bom aspeto!!! Deve ter sido, apesar de tudo, um momento muito agradável! :)

    xoxo, Sofia Pinto
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